“Outros Mundos” e cinema alargam o universo do Cistermúsica
O 34.º Festival de Música de Alcobaça traz propostas de sétima arte e de música sem fronteiras, sem nunca se desligar das raízes clássicas.
A programação Principal do 34.º Festival de Música de Alcobaça tem início a 26 de junho, mas até 31 de julho há também propostas Outros Mundos: uma linha programática que, sem nunca se desligar das raízes clássicas, se abre à liberdade criativa e ao cruzamento de géneros, geografias e formas de expressão.
Novos horizontes musicais para escutar no Festival
SETÂR apresenta, no dia 28 de junho, um encontro entre a poesia do Médio Oriente e a música tradicional persa na Sacristia do Mosteiro de Alcobaça. Três músicos iranianos unem tradição, improvisação e criação contemporânea, num concerto guiado pela voz e pelos sons do kamancheh, do tar e de outros instrumentos ancestrais da tradição persa.
Amália na América afirma-se como um dos grandes destaques desta programação, unindo a Orquestra das Beiras, dirigida por Jan Wierzba, e os fadistas Cristina Branco, Raquel Tavares e Ricardo Ribeiro para navegar entre o fado e o cancioneiro americano, celebrando a artista que levou a voz de Portugal aos mais prestigiados palcos dos Estados Unidos e fez da sua portugalidade uma linguagem universal. Um concerto inesquecível, que em outubro passado levou ao êxtase o Carnegie Hall, em Nova Iorque, vem agora a Alcobaça.
Revisitando o cancioneiro português sob uma perspetiva contemporânea, surge o tributo ao compositor Luís de Freitas Branco, interpretado por Eva Braga Simões e pela guitarra elétrica de Davide Amaral, que assume o papel do piano. O projeto propõe uma leitura sensível e atual, abrindo novas cores e texturas sonoras a um repertório histórico.
No cruzamento entre jazz contemporâneo, improvisação, memória tradicional portuguesa e eletrónica experimental, Filipa Santos | Miguel Moreira apresentam NOW SWIM. O saxofone e a guitarra dialogam num universo musical singular, onde a exploração sonora e a liberdade criativa assumem o centro da experiência.
Inspirada pela natureza e pelo território de Leiria, a compositora e maestrina Estela Alexandre traz ao Cistermúsica a sua orquestra para apresentar Cantomilo. O projeto nasceu de um processo de introspeção iniciado no confinamento de 2020 e desenvolve uma escrita orquestral de forte dimensão cinematográfica, enraizada no jazz mas aberta ao cruzamento de linguagens.
Explorando a obra de Johann Sebastian Bach a partir de uma perspetiva jazzística, o Quodlibet Quintet apresenta um projeto concebido pelo pianista Daniel Bernardes. A proposta reinventa o legado barroco através da improvisação e de uma abordagem harmónica contemporânea.
Entre música e dança, Da Desordem das Paixões junta Músicos do Tejo e Sofia Dias e Vítor Roriz no Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel, para a celebração do excesso, do movimento e da inquietação das paixões humanas, num diálogo intenso entre som e corpo.
A dança regressa ao festival com Dancing Fountains: Memórias de Alcobaça, uma criação de Beatriz Dias e Inês Arrenegado que parte da investigação artística para propor um diálogo entre espaço público e a história local.
A programação Outros Mundos convida, assim, à descoberta de novos horizontes musicais, alargando o universo do Cistermúsica para além do cânone e afirmando o festival como um espaço de encontro entre diferentes públicos e expressões artísticas.
Três noites de cinema e música no Mosteiro de Alcobaça
Nesta edição, o festival propõe três sessões de cinema ao ar livre no Patim da Cerca do Mosteiro de Alcobaça, onde a música surge como fio condutor da programação. Sob o mote “Cinema com vista para as torres do Mosteiro”, o ciclo cruza grande ecrã, património e experiência cultural de verão, com sessões às quintas-feiras, às 21h30. A programação abre a 2 de julho com Moulin Rouge, de Baz Luhrmann, que celebra 25 anos desde a sua estreia e permanece como uma das obras mais marcantes do musical contemporâneo.
Em diálogo com a música erudita, Chopin - Uma Sonata em Paris, recentemente estreado em Portugal, oferece um retrato singular de Frédéric Chopin aos 25 anos, evocando o universo criativo do compositor polaco.
O ciclo encerra com Siga a Banda!, de Emmanuel Courcol, uma história sobre como a música une dois irmãos, entre o drama e a comédia, nomeada para oito Césares, os principais prémios do cinema francês.
Organizado pela ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, o Festival de Música de Alcobaça conta com o apoio da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI, e da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes. É realizado em parceria estratégica com o Município de Alcobaça e com a parceria institucional da Museus e Monumentos de Portugal, EPE /Mosteiro de Alcobaça.