Cistermúsica abre o verão musical em Alcobaça com o Bosque
Antes do 34.º Festival de Música de Alcobaça, o Cistermúsica dá início à programação do Bosque, com concertos ao final das tardes de sábado
A caminho do 34.º Festival de Música de Alcobaça, que decorre entre 26 de junho e 31 de julho, a música já se faz ouvir em torno do Mosteiro de Alcobaça, em modo de aquecimento. Inserida na temporada Cistermúsica e coincidindo com o Festival de Música de Alcobaça, a programação Bosque decorre entre 13 de junho e 25 de julho, junto às arcadas da Ala Sul, propondo sete concertos gratuitos ao ar livre, num ambiente descontraído e acessível.
Todos os sábados, este espaço transforma-se num ponto de encontro entre comunidade local e visitantes, valorizando a envolvente do monumento Património Mundial através de uma programação que partindo de instrumentos clássicos dialoga com géneros como jazz, folk e world music.
Bosque, um território de descoberta…
Desde 2022 que a programação Bosque tem vindo a combinar intérpretes nacionais emergentes e formações locais, com projetos consagrados, alguns de nível internacional. Em 2026 reforça-se a dimensão internacional com o acolhimento dos projetos Tanhai Collective (Inglaterra) e Momi Maiga (Senegal/Espanha).
O músico senegalês, atualmente radicado em Espanha, é um virtuoso da kora, vocalista cativante e compositor autodidata, que tem sido aclamado internacionalmente pela sua sensibilidade e capacidade de fundir as tradições musicais da África Ocidental com influências do jazz, do flamenco e da música clássica. Numa formação em quarteto, Momi Maiga traz ao Bosque o álbum Kairo — que significa “paz”, em mandinga — e foi distinguido como Melhor Álbum do Ano nos Enderrock Critics’ Awards 2025 e no Altaveu Award 2025.
Por sua vez, Tanhai Collective, a banda em ascensão no Reino Unido, com atuações esgotadas em salas de referência como o Ronnie Scott’s, traz a sua fusão de jazz improvisado com soul e funk. O grupo integra uma nova geração do jazz britânico, sendo formado por seis músicos de Londres que tocam juntos desde os 18 anos. A sua colaboração com os Headhunters de Herbie Hancock e outras parcerias reforça o reconhecimento crescente junto de crítica, pela forma como honra a tradição do jazz enquanto incorpora uma linguagem sonora contemporânea e distintiva.
Outro destaque do Bosque é a pianista e compositora luso-angolana Gisela Mabel, que tem vindo a afirmar-se em palcos nacionais e internacionais. A artista apresenta-se em trio num concerto com temas originais, onde se cruzam influências do clássico, jazz e ritmos africanos. Álbum de Retratos é uma transposição para palco do EP homónimo de 2021, distinguido como Jazz Album of the Year pela SoloPiano. Em 2025, Gisela tornou-se a primeira artista portuguesa a integrar a coletânea oficial do Piano Day, iniciativa de Nils Frahm, e já este ano atuou no Piano City Milano, um dos mais relevantes festivais de piano da Europa.
Formado em 2018, o Amicitia Chorus apresenta no Bosque o seu primeiro EP Bai-te à Murta, um trabalho que afirma a sua identidade e relação com o património musical português. O coro propõe uma viagem por sonoridades tradicionais com uma estética contemporânea, onde o canto convive com instrumentos como o bombo e o adufe, enquanto a percussão corporal amplia o envolvimento físico e dramatúrgico dos intérpretes. Este concerto resulta de uma parceria com a Fundação Inatel, no âmbito do projeto Frequência 440, uma convocatória a artistas e projetos emergentes.
Navegando os mares do jazz e de outros territórios, Tape Junk & Pedro Branco junta as vozes do baterista João Correia e do guitarrista Pedro Branco para apresentar Bolero, um disco construído entre a canção, o desencanto, o acaso e a poeira das vidas reais.
Já os Duques do Precariado apresentam no Bosque o seu segundo álbum, Encarnação, uma obra nascida da necessidade de transformar a precariedade em linguagem artística. Entre folk experimental, canção desconstruída e aquilo a que os próprios chamam “Folclore Independente” ou “Etno-novidades”, o grupo têm vindo a afirmar uma linguagem singular na música portuguesa contemporânea.
No arranque do palco Bosque, já este sábado dia 13 de junho, celebram-se os 100 anos de Miles Davis com 100 Miles, um projeto que revisita diferentes fases da obra do trompetista — do cool jazz às atmosferas elétricas e experimentais — através de novas interpretações e improvisação contemporânea.
… e uma porta para o universo Cistermúsica
Segundo o diretor-geral, José Rafael Rodrigues, “o Bosque procura envolver a comunidade e incentivar a descoberta musical, aproximando progressivamente o público da programação Principal do Cistermúsica”.
Mantendo essa dinâmica e alargando o calendário e o número de concertos em 2026, o Bosque promove assim momentos de fruição cultural informal e de proximidade, num espaço agregador e inclusivo que valoriza novas experiências culturais no território.
Organizada pela ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, a programação Bosque realiza-se em parceria com o Palco no Rossio, iniciativa do Município de Alcobaça. O Cistermúsica - Festival de Música de Alcobaça conta com o apoio da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI, e da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes, com a parceria institucional da Museus e Monumentos de Portugal, EPE /Mosteiro de Alcobaça.