Grandes orquestras, uma celebração de Amália e novas vozes do jazz

14
julho

Da Sinfonia do Novo Mundo ao jazz contemporâneo, sem esquecer o legado de Amália, a semana do Cistermúsica cruza gerações e geografias

Os próximos dias levam o público a um círculo perfeito, ligando o Novo Mundo de Dvo?ák à América de Amália Rodrigues; passando pelo jazz contemporâneo português e britânico e pela música vocal do Renascimento. Entre jovens talentos internacionais, artistas consagrados e projetos inéditos, a programação reúne alguns dos concertos mais aguardados desta edição.

Orquestra XXI traz a Sinfonia do Novo Mundo e a virtuosa pianista Marie-Ange Nguci

A Orquestra XXI regressa ao palco da Cerca do Mosteiro para uma noite sinfónica que reúne duas obras maiores do repertório clássico. O programa inclui o Concerto para piano de Edvard Grieg, interpretado por uma das jovens pianistas mais destacadas da atualidade, a franco-albanesa Marie-Ange Nguci, e culmina com a célebre Sinfonia do Novo Mundo, a Sinfonia n.º 9 de Antonín Dvo?ák. Composta durante a permanência do compositor em Nova Iorque, a obra cruza elementos inspirados na tradição musical afro-americana com a linguagem sinfónica europeia, tornando-se uma das partituras mais populares de sempre.

Amália sinfónica, pelas vozes de Cristina Branco, Raquel Tavares e Ricardo Ribeiro

Também Amália Rodrigues conquistou o outro lado do Atlântico, atuando nos mais prestigiados palcos dos Estados Unidos, onde interpretou e gravou, não só fados, mas também canções da Broadway e de Hollywood. O projeto Amália na América - Além do Fado evoca essa ponte musical transatlântica, reunindo a Orquestra das Beiras, dirigida por Jan Wierzba, e as vozes de Cristina Branco, Raquel Tavares e Ricardo Ribeiro. Um concerto que percorre o fado e o cancioneiro americano, e que em outubro passado levou ao êxtase o Carnegie Hall, em Nova Iorque.

Estela Alexandre e outras estrelas do jazz contemporâneo

Compositora, maestrina e uma das mais promissoras criadoras do jazz português, Estela Alexandre sobe ao grande palco da Cerca do Mosteiro de Alcobaça à frente da sua orquestra, reunindo mais de vinte músicos de referência e de diferentes gerações. O concerto parte de Cantomilo, trabalho finalista na categoria de Melhor Álbum de Jazz da 8.ª edição dos PLAY - Prémios da Música Portuguesa.

Inspirado pela natureza, em particular pelas paisagens e pelo território de Leiria, este projeto propõe uma viagem enraizada no jazz, cruzando géneros, linguagens e geografias. A artista apresenta composições originais e novas leituras sobre temas como Strange Fruit, celebrizado por Billie Holiday e Nina Simone, e Coisas, dos Ornatos Violeta, revisitados com uma nova dimensão sonora e emocional.

No mesmo dia, o palco do Bosque recebe os britânicos Tanhai Collective, banda emergente da nova cena jazz do Reino Unido. Depois de atuações esgotadas em salas de referência como o Ronnie Scott's, e de colaborações com nomes como os Headhunters, de Herbie Hancock, o coletivo de seis músicos apresenta-se em Portugal com a sua fusão de jazz improvisado, soul e funk.

Da polifonia ibérica ao Renascimento

A música vocal continua a ocupar um lugar de destaque nesta edição do festival. O Bando de Surunyo apresenta, na Sacristia do Mosteiro, um programa dedicado à música sacra da Península Ibérica dos séculos XVI e XVII, interpretando motetes de Duarte Lobo, Manuel Cardoso e Pedro de Cristo, bem como ensaladas de Mateo Flecha, para cinco vozes, órgão e alaúde.

Já o Vocal Ensemble leva ao Mosteiro Passio & Mors, um programa centrado em Orlando di Lasso e na obra Lagrime di San Pietro, publicada após a morte do compositor e considerada o seu testamento artístico. Antes do concerto, o maestro Vasco Negreiros conversa no Armazém das Artes sobre esta figura tão especial que foi Orlando di Lasso e as principais características da sua invenção criativa, à luz do seu tempo. A música do compositor estará igualmente presente no concerto de entrada livre do Ensemble São Tomás de Aquino, na Igreja de Pataias, num percurso por diferentes épocas da música litúrgica.

Organizado pela ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, o Festival de Música de Alcobaça conta com o apoio da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI, e da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes. É realizado em parceria estratégica com o Município de Alcobaça e com a parceria institucional da Museus e Monumentos de Portugal, EPE /Mosteiro de Alcobaça.