A Ressurreição de Mahler com mais de 200 músicos encerra um Festival dedicado à transformação

20
julho

Nos últimos dias o Cistermúsica propõe ainda ouvir música de câmara, jazz e criação contemporânea, incluindo uma estreia absoluta 

A Sinfonia da Ressurreição, de Mahler, marca o concerto de encerramento do 34.º Festival de Música de Alcobaça. Até ao último acorde, a programação percorre propostas assentes na criação contemporânea, no jazz e na música de câmara, interpretadas por alguns dos nomes mais promissores e reconhecidos da atualidade, entre os quais o maestro Miguel Sepúlveda, o MAAT Saxophone Quartet, o músico senegalês Momi Maiga e o pianista Daniel Bernardes.

Mahler encerra o Festival com a Sinfonia da Ressurreição

O concerto de encerramento da 34.ª edição do Cistermúsica leva a Alto Minho Youth Orchestra à Cerca do Mosteiro para interpretar a emblemática Sinfonia n.º 2 em dó menor, de Gustav Mahler, uma obra que traduz a ideia de Ressurreição como processo de transformação espiritual e humana.

Interpretada por mais de 200 músicos entre coro e orquestra, a obra evidencia também o compromisso do Festival com a formação e valorização de jovens intérpretes. Um concerto sob a batuta do promissor maestro Miguel Sepúlveda, cujo percurso recente inclui colaborações com as orquestras de Roterdão, Dresden e Los Angeles.  A interpretação contará com as solistas Sílvia Sequeira (soprano) e Cláudia Ribas (mezzo-soprano).

Criação contemporânea, jazz e uma estreia nos últimos dias do Festival

A criação contemporânea tem um lugar de destaque num concerto que reúne a Banda Sinfónica de Alcobaça (BSA) e o Maat Saxophone Quartet. Distinguido pela crítica e presença regular em algumas das mais prestigiadas salas europeias, o grupo português apresenta uma obra acabada de estrear e feita à medida para quarteto de saxofones e banda sinfónica: Maatwerk, de Johan de Meij (1953–).  O programa inclui peças de Guillermo Lago e Manuel de Falla, e encerra com uma estreia absoluta, Correntes, de Carlos Filipe Cruz (1984–), encomendada pelo festival.

A criação contemporânea prolonga-se com Bach, projeto do Quodlibet Quintet em que o pianista Daniel Bernardes revisita a obra de Johann Sebastian Bach a partir de uma linguagem jazzística. Ao seu lado estarão Ricardo Toscano (saxofone e clarinete), João Barradas (acordeão), Demian Cabaud (contrabaixo) e Mário Costa (bateria), num diálogo entre improvisação e legado barroco.

O jazz também marca presença com Kairo, do músico senegalês Momi Maiga, distinguido como Melhor Álbum do Ano nos Enderrock Critics' Awards e nos Altaveu Awards 2025. Radicado em Espanha, o jovem compositor, cantor e virtuoso da kora conquistou reconhecimento internacional pela forma como funde as tradições musicais da África Ocidental com influências do jazz, do flamenco e da música clássica. Em palco será acompanhado por Carlos Montfort (violino e voz), Aleix Tobias (bateria e voz) e Oriol Català (violoncelo e voz). 

Música de câmara que evoca a Ressurreição e a composição no feminino 

O quinteto de sopros Ex Tempore Ensemble apresenta, na Biblioteca do Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel, um programa alinhado com o tema Ressurreição, com peças de Samuel Barber, Gustav Mahler, Lopes-Graça e Dvo?ák que exploram a renovação artística, a transformação sonora e o renascimento criativo. 

No recital de canto e piano Eterno Feminino, na Igreja de São Martinho do Porto, o foco recai sobre compositoras de extraordinário talento frequentemente esquecidas pela história da música, entre as quais Cécile Chaminade, Lili Boulanger, Fanny Hensel e Amy Beach. 

Organizado pela ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes, o Festival de Música de Alcobaça conta com o apoio da Fundação “la Caixa”, em colaboração com o BPI, e da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes. É realizado em parceria estratégica com o Município de Alcobaça e com a parceria institucional da Museus e Monumentos de Portugal, EPE /Mosteiro de Alcobaça.