Sobre o Cistermúsica

Um clássico para todos

Cistermúsica 2017

A 25.ª edição de um festival de música é ocasião para celebrar. Por isso, o Cistermúsica convidou para 2017 grupos e artistas que nele deixaram algumas das melhores recordações desde o longínquo ano de 1992, numa edição que celebra o génio de Bach e Ravel, combinando obras raras e obras amadas do grande público.

O mais importante evento desta edição será a estreia moderna da ópera Inês de Castro de Giuseppe Giordani (1793), historicamente a primeira de dezenas de óperas inspiradas na história de Pedro e Inês; obra a que Marita P. McClymonds dá relevância histórica no mais importante dicionário de música do mundo (o New Grove), inscrevendo-a na sequência da reforma de Gluck e no dealbar do romantismo. Esta ópera não é executada desde o século XVIII e nunca foi editada, pelo que pedimos aos Centro di Studi Giuseppe Giordani, em Itália, que realizasse a edição da partitura especialmente para o Cistermúsica. Um elenco de seis cantores portugueses, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa atuam sob a direção de João Paulo Santos, numa versão de concerto que será gravada pela Antena 2 para ser editada em CD. Será o momento mais importante da longa ligação do Cistermúsica à temática inesina, no ano em que se assinalam os 650 anos da morte do rei D. Pedro I.

O Requiem à Memória de Camões de Bomtempo, uma das obras mais importantes do património musical português, foi escrito há 200 anos. Terá agora a sua primeira execução moderna em instrumentos de época, num projeto ambicioso do maestro João Paulo Janeiro (que surge depois da inesquecível Missa em Fá de Francisco António de Almeida ressuscitada na nave central do Mosteiro em 2013).

O interesse pelo património musical português está no ADN do Cistermúsica e isso inclui a criação contemporânea. Para celebrar o seu 25º aniversário, o festival fez duas encomendas: uma obra para grupo vocal de João Madureira, que será estreada pela Cappela Musical Cupertino de Miranda, e uma obra para piano solo de António Victorino d’Almeida, que terá como intérprete a pianista russa Irina Chistiakova.

Entre as novidades, teremos pela primeira vez no festival um recital de harpa, com um virtuose do instrumento — a alemã Silke Aichhorn — num programa de eleição. A genial Gran Partita de Mozart, que muitos recordam do filme Amadeus, vai ser ouvida num concerto de grupo de sopros, outra novidade no festival.

Há muito que era devida no Cistermúsica uma celebração condigna de Bach, o “Júpiter” dos compositores. Por isso temos audição integral das sonatas e partitas para violino solo, pelo notável violinista brasileiro Cármelo de los Santos. Num concerto da Orquestra de Câmara Portuguesa, dirigida por Pedro Carneiro, serão ouvida duas suites orquestrais e dois concertos de Bach.

O Grupo Vocal Les éléments e o Quarteto Arcadia estão entre os mais notáveis agrupamentos que já atuaram em Alcobaça. Regressam agora com dois programas imperdíveis, respetivamente com obras alemãs para coro e piano (de Schumann a Stockausen) e quartetos de Mozart, Haydn e Bartók. Entre os grupos nacionais, elegemos a Cappela Musical Cupertino de Miranda para regressar, num programa que percorre a renascença portuguesa e europeia e assinala os 450 anos do nascimento de Monteverdi. Outro regresso é o do Quatuor Alfama, o excelente quarteto belga que fará um programa de Schubert e Mozart em memória de Harry Halbreich, o grande musicólogo belga falecido em 2016.

Incentivar jovens talentos tem sido outra das missões do festival e este ano cabe a vez à vencedora do Prémio de Interpretação do Estoril 2016, a violoncelista Isabel Vaz, num programa em duo com violino que inclui essa obra genial que é a Sonata para Violino e Violoncelo de Ravel. A Academia da Dança de Alcobaça, que já marcou grandes momentos do Cistermúsica, apresenta um espetáculo na escadaria do Mosteiro e a Orquestra do Estágio Gulbenkian regressa com um programa de arromba, que reúne Sheherazade de Ravel, Till Eulenspiegel de Strauss, Os Mestres Cantores de Wagner e Romeu e Julieta de Tchaikovski.

No mesmo cenário monumental, a Banda Sinfónica de Alcobaça, dirigida por Sébastien Béreau, abre o festival com um programa dedicado a Ravel nos 80 anos da sua morte; e a Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção de Osvaldo Ferreira, faz o concerto de encerramento com a 2.ª Sinfonia de Rakhmaninov e a divina Suite Quebra-Nozes de Tchaikovski.

Estão todos convidados.

Alexandre Delgado e Rui Morais
Direção Artística

A história do festival

O Cistermúsica – Festival de Música de Alcobaça não é apenas um dos mais relevantes acontecimentos artísticos na zona Oeste, onde o crescimento e a afirmação têm sido uma constante, constituindo hoje, e graças à qualidade indesmentível da sua programação, uma verdadeira instituição cultural em toda a região e um dos eventos com maior destaque no plano nacional e internacional.

É um espaço de concertos e espetáculos, tanto como um lugar de descoberta de novos e velhos talentos (regionais, nacionais e internacionais) no universo da música universal, conjugando na perfeição, e como poucas iniciativas do seu género, as qualidades criativas, culturais, arquitectónicas e turísticas de uma região inteira e de tudo aquilo que esta tem para oferecer.

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