Sobre o Cistermúsica

Um clássico para todos

Cistermúsica 2020

Em 2020 o Cistermúsica é marcado pela continuação das celebrações dos 500 anos da circum-navegação e pelos 250 anos do nascimento de Beethoven. A programação desenvolve-se em três eixos fundamentais: a música do tempo de Fernão de Magalhães, tirando partido da envolvente monumental única proporcionada pelo Mosteiro de Alcobaça; uma programação assente em parcerias luso-espanholas, replicando o modelo da expedição organizada pela coroa espanhola, mas comandada por um português; e a celebração do grande génio de Beethoven através da música para piano solo, duo de violoncelo e piano, quarteto de cordas, orquestra sinfónica e coro. Neste sentido, o primeiro concerto deste festival será protagonizado pelo agrupamento Sete Lágrimas, que irá proporcionar um programa dedicado à “Diáspora”, que mergulha nas formas musicais dos cinco continentes de ontem e de hoje, evocando a presença histórica dos portugueses pelo mundo.

Ainda no campo da música do tempo de Magalhães teremos, do lado de Espanha, propostas como “El periplo de Magallanes y Elcano” do Coro de Câmara de Granada e do Ensemble Samsaoui. Por outro lado, mas evocando também esta efeméride, a Orquestra Jovem da Extremadura apresentará, em estreia absoluta, uma obra encomendada para esta ocasião, numa coprodução estabelecida com o Festival Estoril Lisboa. Também ao nível da criação contemporânea é de salientar a encomenda feita ao jovem compositor Daniel Bernardes para, a partir dos arranjos de melodias de diversos países feitos por Beethoven, compor uma obra para piano jazz e coro. Na relação com a herança cisterciense, destaca-se o agrupamento Capella Sanctae Crucis com o programa Requiem de Coimbra, que nos revela um dos muitos tesouros escondidos da música quinhentista portuguesa.

Igualmente importantes são os programas que nos trazem La Grande Chapelle, um dos maiores agrupamentos espanhóis especializados no período barroco, com duas verdadeiras obras-primas da música escrita na península ibérica nesse período, o "Magnificat" de António Soler e o "Stabat Mater" de Domenico Scarlatti e o ensemble La Nave Va sob a direção de António Carrilho, que, com a notável participação do tenor Marcel Beekman, irá apresentar um programa de “Árias de Bravura para tenor”. Também este concerto contará com a ponte entre uma Espanha de Soler e o Portugal de Francisco António de Almeida, sem esquecer o grande repertório de Mozart a Rameau e Gluck, com obras, algumas marcadas pelo mar, outras pela guerra, pela ambição e pela coragem.

Ainda no âmbito desta relação que Portugal partilha com Espanha, teremos outro agrupamento de referência, a Accademia del Piacere. Será um concerto que vai refletir a miscigenação de culturas, resultado das expedições quinhentistas, e que em última instância criou vivências musicais únicas, como nos prova o programa “Música Mestiza”. De resto, essa música mestiça terá como ponto alto um projeto, Classics meets Africa, que traz os ritmos africanos até aos jovens estudantes de música de tradição ocidental, e leva a música clássica até jovens dançarinos africanos. Do encontro de culturas, surge outro dos grandes projetos desta edição do Cistermúsica, desta vez centrado num fenómeno identitário português, e aproveitando-se também para se evocar uma outra efeméride particularmente importante entre nós, os 100 anos do nascimento de Amália Rodrigues. Esse é o pretexto para se recuperar o projecto “Do Barroco ao Fado” do agrupamento Os Músicos do Tejo, que sintetiza uma história com mais de oito séculos, combinando tradição oral e música escrita e cruzando peças para guitarra portuguesa, com música medieval, árabe e galega, expressões do barroco, o fado, a modinha e o lundum, para terminar na verdadeira exaltação da poesia através da música como o fez Amália Rodrigues e Alain Oulman.

Para a celebração dos 250 anos de Beethoven, para além da encomenda já referida ao compositor Daniel Bernardes, a programação procura afirmar mais uma vez o Cistermúsica como um espaço por excelência para a Música de Câmara, com o notável Quarteto feminino Esmé, com a integral das sonatas e variações para violoncelo e piano de Beethoven, que serão interpretadas por Jed Barahal e Christina Margotto, e ainda com o pianista Miguel Borges Coelho, um dos mais destacados pianistas nacionais, reconhecido internacionalmente. Obviamente esta celebração não estaria completa sem a interpretação da Sinfonia no. 9 de Beethoven com a sua “ode à alegria”, um hino à humanidade e à construção de pontes entre homens e culturas e verdadeiro símbolo da identidade europeia, perfeito para encerrar a 28ª edição do Festival e as celebrações que caracterizam a sua programação. 

Em síntese, proporcionar uma programação cultural de excelência, descentralizada e acessível a todos continua a ser a principal missão do Cistermúsica.

André Cunha Leal e Rui Morais
Direção Artística

A história do festival

O Cistermúsica nasce em 1992 como iniciativa do Município de Alcobaça e é organizado, desde 2002,  pela Banda de Alcobaça com a produção da Academia de Música de Alcobaça, tendo atualmente o apoio institucional daquele Município e da Direção-Geral das Artes.

Desde sempre o Mosteiro de Alcobaça têm sido o palco privilegiado do festival, a par de outros recintos da cidade e da região que têm testemunhado a perfeita comunhão entre a música e dança com o património histórico.

A missão de valorizar o património é acompanhada pelo contributo de uma programação de excelência, descentralizada e acessível, desenhada também para o desenvolvimento turístico e cultural da região.

Um festival que cada vez mais abraça o lema: “um clássico para todos”, trazendo, anualmente, aos palcos da região, alguns dos melhores intérpretes de música e de dança na cena nacional e internacional. E que cada vez mais vive para as crianças, jovens e famílias, que encontram nas secções Júnior e Famílias e Off uma oferta cultural diversificada, sempre adequada à formação de novos públicos, sensibilizando-os para o estudo e valorização das artes.

Com a Rota de Cister, o festival ganhou, desde 2015, uma dimensão nacional que leva parte da sua Programação Principal ao património cisterciense edificado pelo país e a outros municípios que partilham uma lógica de descentralização cultural à escala regional.

Edição após edição, o Cistermúsica orgulha-se de dar palco à música e de proporcionar experiências sonoras e artísticas inesquecíveis.

Edições anteriores

1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
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2009
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2018

Organização e Produção

Organização

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