Os Músicos do Tejo e Sofia Dias e Vítor Roriz
Da Desordem das Paixões
Os Músicos do Tejo e Sofia Dias & Vítor Roriz - Marta-Marcos-Sofia-Vítor - unidos pelo seu amor ao barroco, ao século XVII e XVIII, à dança, à música de dança, aos pássaros, aos textos sobre dança, aos textos que falam de danças maravilhosas, aos professores de dança que tocam violino e que compõem melodias de danças para os seus alunos por sua vez harmonizadas por outros alunos a cinco vozes, aos textos sobre textos, aos rituais onde ministros e embaixadores tinham de dançar correctamente no mínimo, e elegantemente no máximo, mas sem por assim mesmo poderem ter que vir a comparar-se ao rei com letra grande que esse sim tinha o passo mais elegante, o comportamento mais perfeito sobre o qual tudo se modelava, aos tratados em que o não gravado era quase tão belo como o relevo queimado gravura no papel nervurado, aos labirintos textuais, ao texto tornado imagem, à repetição ritmada das palavras, ao excesso das formas onde tudo é vento, chama, movimento e onde os corpos se contorcem em êxtases místicos numa metamorfose capturada a meio num eterno contínuo, à dança que se faz em silêncio, e o silêncio que se torna movimento, assim como que também ligados por um amor sobrevivente, desejam construir um traçado que se veja como se de fora, que se sinta no odorato, que provoque uma agitação ao mesmo tempo interior e exterior, profunda e superficial, um desenho de entradas passível de ser tão por mais ouvido que visto, mais atmosférico que unitário, suficientemente comunitário nos bastidores da realidade e ao conjugar uma música e uma dança em homenagem aos que dançaram para se manter em vida, relevantes no estado do estado-nação, decisivos na arte da metafísica de corte, sós diante dos olhos de todos, refractários e cúmplices da burocracia, apresentar um condigno esforço aos amantes de música, performers, e rabequistas e apelando à benevolente e talentosa proficiência de outros contemporâneos habitantes do mundo físico-químico-artistes/flâneurs/boémios de estabelecimento estável - e que vêm constituir segunda equipage, Marta-Álvaro-Vasken-Vicente-Pedro-Denys-Cárin-José-Catarina, em forma a que possam, em número certo e regular, preencher as premissas do que se prometia e Prometeu agrilhoado ou agrilhoados a uma reciclagem hepática reflorescente, vulgo poder apresentar um momento multilateral, multidirecional, multidisciplinar, que abra a abertura, a entrada, o espaço do ser no palco do não-ser, mais ouvido que visto, mais intuído que instruído, e por conseguinte possamos todos no palco ser: será, portanto, mais proveitoso o desenho de uma série de desenhos, um percurso de várias entradas a dois, quatro, seis tempos, seja sistema decimal ou sumério, seja no sistema alucinatório, para que se evoquem correspondentes divindades, gárgulas, faunos, sátiros, ninfas, sereias em sistemas hidrográficos sonoros e visuais envolventes.
Programa
François de Chancy (1600-1656)
Excertos de Ballet du dérêglement des passions
I. 2ême Entrée - Promethée
lI. (8ême Entrée - La Lune, Endimion et trais autres Bergers
William Lawes (1602-1645)
Fantasia n.º 1 (“The Sunrise”),
extraída de Consort Set n.º 8 a 6 partes em Fá Maior
John Playford (1623-1686)
Excertos de The English Dancing Master
Nicolas Lebegue (c. 1631-1702)
Excertos de Pièces de Clavessin
Jean-Baptiste Lully (1632-1687)
Chaconne extraída de Phaeton;
Passacaille extraída de Armide;
Dieu des Enfers;
Excertos de Ballet des Plaisirs (1655)
Marin Marais (1656-1728)
Chaconne da ópera Alcyone
Henry Purcell (1659-1695)
Fantasia n. º 8, Z. 739 a 4 partes;
Now the Night Is Chased Away, ária extraída de The Fairy Queen
To All Lovers of Music, Performers and Scrapers - Catch (Cânone)
Elisabeth Jacquet de La Guerre (1665-1729)
Excertos da ópera Céphale et Procris
I. Ouverture
II. Pour vivre sans chagrin, duo de Dorine e Archas
III. Marche pour les trompettes et violons (reconstrução das partes interiores por Marcos Magalhães)
Gaspard Le Roux (c. 1670-1706)
Peças a dois cravos (excertos de Pièces de Clavessin)
Marcos Magalhães (1973)
Estudo para uma Queda Lateral
Ficha artística
Marcos Magalhães, Marta Araújo, Sofia Dias e Vítor Roriz, direção artística
Sofia Dias & Vítor Roriz com Os Músicos do Tejo, interpretação
Marta Araújo e Marcos Magalhães, direção musical
Cárin Geada, desenho de luz
José António Tenente, figurinos
Marcos Magalhães, Marta Araújo, Sofia Dias e Vítor Roriz (com panos de Catarina Dias), espaço cénico
Centro Cultural de Belém, coprodução
Estúdios Victor Cordon (espaço de ensaios no âmbito do projeto “em casa”), apoios
Sofia Dias & Vítor Roriz e Os Músicos do Tejo, produção
Os Músicos do Tejo
Marta Leite Gonçalves, traverso
Denys Stetsenko, violino
Vasken Fermanian, violino
Álvaro Pinto, viola
Pedro Braga Falcão, viola
Vicente Magalhães, contrabaixo
Marta Araújo, cravo
Marcos Magalhães, cravo e harmónio indiano
Os Músicos do Tejo e Sofia Dias & Vítor Roriz são estruturas financiadas pela República Portuguesa - Cultura, Juventude e Desporto / DGARTES – Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Lisboa.
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