Voces Cælestes & Real Câmara com Paul Agnew

Portugal
Redes
07
julho

21h30
Local: Lisboa - Igreja de S. João de Brito

Da penitência à redenção

Adaptar, arranjar, rever, transpor, compilar e parodiar eram tarefas que ocupavam tanto tempo ao compositor setecentista quanto a escrita de novas obras, sendo vistas como parte integrante do seu trabalho e com igual dignidade. Numa época em que era necessário prover constantemente música para inúmeras celebrações litúrgicas diárias, a par de incontáveis outros compromissos — como ensaiar e ensinar cantores, copiar e preparar partituras, zelar pela afinação e reparação de instrumentos, ou mesmo ensinar latim ou teologia —, os Mestres de Capela e Kantors não hesitavam em reciclar obras suas mais antigas ou recuperar composições dos seus colegas ou antecessores. Conceitos como originalidade e propriedade intelectual eram menos importantes e mais relativos do que são hoje. A cópia e a citação eram vistas como uma homenagem ou deferência e até o plágio era tratado com tolerância. Milhões de obras de elevadíssima qualidade e inspiração eram descartadas e rapidamente esquecidas ou mesmo destruídas, após uma ou duas utilizações, enquanto outras, por vezes sem um motivo aparente que as distinguisse, circulavam por toda a Europa. Frequentemente anónimas ou atribuídas a diferentes autores, integravam colectâneas, e serviam de referência a jovens compositores, ou mesmo a músicos mais experientes sedentos de aprenderem as modas e tradições de outras paragens. Este programa ilustra de forma única estes fenómenos: um salmo de Zelenka baseado numa peça de órgão de Frescobaldi; um moteto anónimo que poderá ter passado pelas mãos de Kuhnau, Bach e Graun; uma missa de Bach que recicla andamentos de três cantatas anteriores; obras instrumentais de Fux que citam os estilos de Lully, Muffat ou Corelli… No seu conjunto, estas obras revelam, sobretudo, a inesgotável criatividade, a surpreendente flexibilidade e a suprema beleza da música sacra alemã do início do século XVIII.

Ficha artística
Paul Agnew, direção musical
Sérgio Fontão, direção do coro

Inês Tavares Lopes, soprano
Rita Morão Tavares, alto
Rodrigo Carreto, tenor
Carlos Pedro Santos, baixo

Real Câmara
Luca Giardini, César Nogueira e Ágnes Sárosi, violinos I
Guadalupe del Moral, Miriam Macaia Martins e Abel Balázs, violinos II
Raquel Massadas e Antina Hugosson, violas
Diana Vinagre e Caroline Kang, violoncelos
Marta Vicente, contrabaixo
Eyal Streett, fagote
Pedro Castro e Luís Marques, oboés
Fernando Miguel Jalôto, órgão

Voces Cælestes
Claire Rocha, Inês Tavares Lopes, Mariana Moldão e Verónica Milagres da Silva, sopranos
Fátima Nunes, Joana Esteves, António Lourenço Menezes e Rita Morão Tavares, altos
Frederico Projecto, Gerson Coelho, Jaime Bacharel e Rodrigo Carreto, tenores
Carlos Pedro Santos, José Bruto da Costa, Manuel Rebelo e Tiago Batista, baixos

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